Antes
que prossiga, uma consideração. Quando vejo rematados imbecis, idiotas
notórios, vagabundos intelectuais de renome, vigaristas profissionais — a
corja, enfim… — a defender a cassação e a “caçação” de
crucifixos nos tribunais, não me incomodo, não. Dou um pé no traseiro da
escória e pronto! Eu fico espantado é quando constato que pessoas que
sei decentes, que são de bem, que realmente estão ocupadas em fazer do
Brasil um lugar melhor, caem nessa conversa em nome do “laicismo do
Estado”. Não se dão conta de que se trata de uma tentativa de apagamento
da memória histórica; ignoram que não se pode julgar o passado com
valores que são do presente. Esquecem que a reforma da memória é uma das
taras do totalitarismo. Muito bem! Um advogado no Brasil quer depredar
um patrimônio tombado em Brasília para retirar o crucifixo do STF. Ele é
café pequeno perto do que vocês lerão abaixo. Chamo a atenção das
pessoas de bem, eventualmente equivocadas nesse particular, para o
horror com o qual estão flertando.
Valentina
Sereni, a presidente da entidade que quer banir Dante das escolas
italianas, diz que a obra apresenta um conteúdo ofensivo e
discriminatório contra homossexuais, islâmicos e judeus. Segundo Sereni,
esse conteúdo é ensinado sem quaisquer filtros ou consideração crítica.
Assim, chega de Dante! Ela se incomoda, em especial, com os cantos
XXXIV, XXIII, XXVIII e XIV. Segundo a moça, o Judas de Dante é a
representação do Judas do Evangelho, fonte do anti-semitismo. “Estudando
a Divina Comédia, sustenta a Gherush92, os jovens são expostos, sem
filtros e sem crítica, a uma obra que calunia o povo hebreu”. No canto
XXIII, destaca Sereni, Dante pune o Sinédrio, Caifás, Ana e os fariseus.
Ela
também considera inaceitável o Canto XXVIII, do Inferno. Dante descreve
as penas horrendas que sofreram os semeadores da discórdia. Maomé é
apresentado como líder de um cisma religioso, e o Islamismo com uma
heresia. Ao profeta é reservada uma pena atroz: um demônio passa a
eternidade a lhe rasgar o corpo, de modo que o intestino lhe pende entre
as pernas. Dante também não perdoa os sodomitas, os que mantêm
“relações sexuais contra a natureza”, e os heterossexuais lascivos. Ela
não pode aceitar. E afirma: “Nos não defendemos a censura, mas queremos
que se reconheça, de forma clara, sem ambiguidade, que, na Divina Comédia,
há um conteúdo racista, islamofóbico e anti-semita. A arte não pode
estar acima da crítica. Mesmo que haja diferentes níveis de
interpretação — simbólica, metafórica, iconográfica, estética —, não se
deve ignorar o significado textual: o conteúdo é claramente depreciativo
e contribui, hoje como ontem, para divulgar acusações falsas, que
custaram, ao longo dos séculos, milhões e milhões de mortos (…) Isso é
racismo, que a leitura simbólica, metafórica ou estética da obra não
pode remover.
E
vai adiante: “É nosso dever alertar as autoridades competentes e o
Poder Judiciário que a Divina Comédia apresenta conteúdo ofensivo e
racista (…). Pedimos, pois, que a Divina Comédia seja retirada dos
programas escolares ou que, ao menos, se faça acompanhar das devidas
explicações”.
Bando de vigaristas!Meu
querido amigo Diogo Mainardi (o vídeo vai abaixo), indagado sobre a
questão dos crucifixos, fez questão de deixar claro que é ateu, mas
lembrou que seus filhos estudam numa escola católica e que o
cristianismo é uma referência da cultura. E fez uma de suas sínteses
geniais: “Não acredito em Deus, mas acredito na Igreja”. Ora, ninguém é
obrigado a crer, e eu, é óbvio, não acho que isso distingue os maus dos
bons, não! Como sabem, nos vários posts que escrevi a respeito, deixei a
questão da fé de lado — porque acho que não é ela que está em debate.
Não é porque sou católico que quero crucifixos em tribunais. Na verdade,
eu não reivindico que eles estejam lá. Escrevo isto desde que esse
debate surgiu, há mais de dois anos: eu me aponho é à decisão de
retirá-los ou de proibi-los. Na verdade, o ódio ao crucifixo é metáfora
—- ou metonímia — de um ódio maior: à cultura ocidental. No fundo, é uma
derivação do antiamericanismo; ainda voltarei a esse tema
oportunamente.
No Brasil, os gênios de Fernando Haddad já tentaram censurar Monteiro Lobato. Acabaram desistindo. Comentando a questão, em outubro do ano passado e
ao retomar o assunto, na semana retrasada, quando veio à luz a
tentativa de reescrever o Dicionário Houaiss, perguntei se alguém
proporia a censura a Shakespeare, na Inglaterra, porque “Mercador de
Veneza” é anti-semita, ou a Alexandre Herculano, em Portugal, porque o
livro “Eurico, O Presbítero” é islamofóbico.
Não!
Dona Valentina Sereni e seus amigos são só pilantras intelectuais
treinados para odiar o cristianismo e o mundo Ocidental. A defesa que
faz das supostas vítimas de Dante (Santo Deus!) é só um pretexto
verossímil para disseminar esse ódio. No mês passado, a Newsweek publicou
um texto de Ayaan Hirsi Ali, esta mulher que é exemplo de luta e
coragem. Chama-se “O crescimento da cristofobia”. Ela evidencia com
fatos e números o que tenho afirmado há cinco anos neste blog: a
religião mais perseguida do mundo hoje é o cristianismo. E seus
assassinos são radicais islâmicos. Não obstante, o quase monotema da
imprensa ocidental é a “islamofobia”. Ayann, nascida na Somália e vítima
de brutalidades inomináveis, denuncia o bem-sucedido lobby de grupos
islâmicos junto ao jornalismo ocidental para transformar algozes em
vítimas e vítimas em algozes.
A
cristofobia e o ódio ao Ocidente já puseram Dante na lista dos autores
proibidos. Chegará a hora de Shakespeare, Chaucer, Camões, Milton,
Cervantes… — toda essa gente asquerosa que construiu esse mundo
ocidental de horrores, que dona Sereni e sua corja detestam.
Alguns
de vocês, leitores deste blog — gente de bem —, que condescenderam, no
entanto, com a caça aos crucifixos, não acreditaram quando afirmei que
aquela ação era parte de um ódio mais geral; não tinha nada a ver com
laicismo, e sim com o repúdio a um estilo de vida, a uma cultura, a uma
tradição. Vejam aí com o que vocês estão flertando. Os argumentos de
quem caça e cassa um crucifixo são os mesmos daqueles que querem Dante
fora da escola! Em tempos globalizados, este é um movimento que
transcende o Brasil. O ódio ao cristianismo se espalha, muito
especialmente nos países cristãos. Concordar com a perseguição à cruz e
abrir mão de parte da nossa liberdade. Talvez os nossos netos paguem por
isso.
Quem
celebra a crucifixo proibido certamente sabe defender a censura à
Divina Comédia. Não! Esse mundo eu não quero! E lutarei contra ele
enquanto me restar ao menos um suspiro.
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