sexta-feira, 23 de março de 2012
quinta-feira, 15 de março de 2012
Grandões da tecnologia colocam filhos em escola sem computadores
A CNN fez uma matéria sobre um novo fenômeno no Vale do Silício: pais que trabalham na indústria da tecnologia estão colocando seus filhos em escolas criadas para evitar a tecnologia. Na escola mostrada na reportagem, a escola Waldorf da Peninsula, não há nenhum computador por lá.
Esses pais, como o executivo do eBay que aparece na matéria, acreditam que há tempo para tecnologia fora da escola, e que as salas de aula devem ser um lugar mais social, com atividades de aprendizado mais naturais. Crianças jogando bolas. Tocando instrumentos. Nas escolas Waldorf espalhadas pelo mundo, uma aversão à tecnologia não é uma diretriz básica. Trata-se apenas de um subproduto para um formato diferente de educação.
Há certo apelo aqui. Crianças sem dúvida devem usar seu tempo correndo por aí. E, como os pais entrevistados admitem, há muito valor em aprender ciência sem um computador. Mas precisa ser assim, tudo ou nada? Uma escola deve ser competente o bastante para incorporar importantes e educacionais aspectos da tecnologia. A tela é capaz de mostrar mais do que compilações de imagens com meme faces e pornografia. [CNN]
terça-feira, 13 de março de 2012
Tempos apocalípticos
Por Paulo Brossard
Minha filha Magda me advertiu de que estamos a viver tempos do Apocalipse sem nos darmos conta; semana passada, certifiquei-me do acerto da sua observação, ao ler a notícia de que o douto Conselho da Magistratura do Tribunal de Justiça do Estado, atendendo postulação de ONG representante de opção sexual minoritária, em decisão administrativa, unânime, resolvera determinar a retirada de crucifixos porventura existentes em prédios do Poder Judiciário estadual, decisão essa que seria homologada pelo Tribunal. Seria este “o caminho que responde aos princípios constitucionais republicanos de Estado laico” e da separação entre Igreja e Estado.
Tenho para mim tratar-se de um equívoco, pois desde a adoção da República o Estado é laico e a separação entre Igreja e Estado não é novidade da Constituição de 1988, data de 7 de janeiro de 1890, Decreto 119-A, da lavra do ministro Rui Barbosa, que, de longa data, se batia pela liberdade dos cultos. Desde então, sem solução de continuidade, todas as Constituições, inclusive as bastardas, têm reiterado o princípio hoje centenário, o que não impediu que o histórico defensor da liberdade dos cultos e da separação entre Igreja e Estado sustentasse que “a nossa lei constitucional não é antirreligiosa, nem irreligiosa”.
É hora de voltar ao assunto. Disse há pouco que estava a ocorrer um engano. A meu juízo, os crucifixos existentes nas salas de julgamento do Tribunal lá não se encontram em reverência a uma das pessoas da Santíssima Trindade, segundo a teologia cristã, mas a alguém que foi acusado, processado, julgado, condenado e executado, enfim justiçado até sua crucificação, com ofensa às regras legais históricas, e, por fim, ainda vítima de pusilanimidade de Pilatos, que tendo consciência da inocência do perseguido, preferiu lavar as mãos, e com isso passar à História.
Em todas as salas onde existe a figura de Cristo, é sempre como o injustiçado que aparece, e nunca em outra postura, fosse nas bodas de Caná, entre os sacerdotes no templo, ou com seus discípulos na ceia que Leonardo Da Vinci imortalizou. No seu artigo “O justo e a justiça política”, publicado na Sexta-feira Santa de 1899, Rui Barbosa salienta que “por seis julgamentos passou Cristo, três às mãos dos judeus, três às dos romanos, e em nenhum teve um juiz”… e, adiante, “não há tribunais, que bastem, para abrigar o direito, quando o dever se ausenta da consciência dos magistrados”. Em todas as fases do processo, ocorreu sempre a preterição das formalidades legais. Em outras palavras, o processo, do início ao fim, infringiu o que em linguagem atual se denomina o devido processo legal. O crucifixo está nos tribunais não porque Jesus fosse uma divindade, mas porque foi vítima da maior das falsidades de justiça pervertida.
Não é tudo. Pilatos ficou na história como o protótipo do juiz covarde. É deste modo que, há mais de cem anos, Rui concluiu seu artigo, “como quer te chames, prevaricação judiciária, não escaparás ao ferrete de Pilatos! O bom ladrão salvou-se. Mas não há salvação para o juiz covarde”.
Faz mais de 60 anos que frequento o Tribunal gaúcho, dele recebi a distinção de fazer-me uma vez seu advogado perante o STF, e em seu seio encontrei juízes notáveis. Um deles chamava-se Isaac Soibelman Melzer. Não era cristão e, ao que sei, o crucifixo não o impediu de ser o modelar juiz que foi e que me apraz lembrar em homenagem à sua memória. Outrossim, não sei se a retirada do crucifixo vai melhorar o quilate de algum dos menos bons.
Por derradeiro, confesso que me surpreende a circunstância de ter sido uma ONG de lésbicas que tenha obtido a escarninha medida em causa. A propósito, alguém lembrou se a mesma entidade não iria propor a retirada de “Deus” do preâmbulo da Constituição nem a demolição do Cristo que domina os céus do Rio de Janeiro durante os dias e todas as noites.
Fraternidade, saúde pública e aborto (I)
por Pe. Anderson Alves (Presbíteros)
A Quaresma iniciou no Brasil e esse ano a Igreja Católica propõe como tema da “Campanha da Fraternidade” o lema “a fraternidade e saúde pública”. O objetivo da Igreja é de incentivar a reflexão e a participação social dos seus fieis e dos homens de boa vontade na defesa e na promoção da vida humana no nosso País.
Um tema que pode suscitar reflexões nessa Campanha é certamente o aborto que, segundo altos funcionários do nosso Governo, é uma questão de “saúde pública”. De fato, assim afirmou recentemente a sra. Eleonora Menicucci, que tomou posse há poucos dias como ministra da das Mulheres. Além disso, foi noticiado no Diário da União em 4 de outubro de 2010 que o Ministério da Saúde havia prorrogado um convênio com a Fundação Oswaldo Cruz, do Rio de Janeiro, para estudar mudanças na legislação brasileira sobre o aborto. O projeto chamava-se “Estudo e Pesquisa – Despenalizar o Aborto no Brasil” e vem sendo feito desde 2007 [i].
Essas notícias dão a muitos a sensação de que o direito à vida no Brasil está com seus dias contados. Provavelmente, em breve, cada brasileiro que nascer deverá ser considerado um sobrevivente, pois ficará privado de direitos e da proteção legal na fase mais delicada da sua vida.
Podemos nos perguntar: Quais seriam os motivos que levam a algumas pessoas a assumir tão radicalmente um compromisso com a despenalização e promoção do aborto? Analisemos alguns desses aqui com o fim de colaborar com algumas reflexões sobre esse tema.
1) A vontade popular? Há quem diga que a despenalização do aborto no Brasil seria algo querido pelo nosso povo, de modo que poderia ser considerado como uma conquista democrática. Será realmente assim? Vejamos alguns dados: no dia 08/10/2010 o Instituto Datafolha realizou uma pesquisa em todo o País sobre o tema [ii]. O resultado foi que 71% da nossa população pensa que a lei do aborto deve continuar como está. Em 1993 o índice de pessoas que diziam que a legislação deve continuar como estava era de 54%, em 1997 era de 55% e em 2006, 63%. Ou seja, quanto mais passa o tempo, mais o nosso povo se mostra contrário ao aborto, assim como ocorre em diversos países onde essa prática é legal. Há algum tempo atrás foi feita uma enquete na website do Senado Federal sobre o aborto dos anencéfalos. O resultado apontou que 61% se declara contrária a essa prática [iii]. O que tudo indica a rejeição ao aborto no nosso País cresce a cada ano num ritmo veloz e, infelizmente, com a mesma velocidade cresce o empenho de uma parte de nossos políticos em legaliza-lo.
2) Questão de saúde pública? Qual seria a base de tal afirmação? São as seguintes: a Federação Internacional de Planejamento familiar (IPPF) afirma que no Brasil existem cerca de 200.000 mulheres internadas todos os anos por complicações devidas ao aborto [iv], sendo o número de morte bastante elevado. De modo semelhante, a Organização Mundial de Saúde (OMS) afirma que na América Latina ocorrem anualmente 3.700.000 abortos ilegais e que 62.900 mulheres morrem em decorrência de complicações dos mesmos [v]. Além disso, na metade de fevereiro de 2012 tivemos a notícia de que o governo brasileiro foi questionado pela CEDAW (Comitê para a Eliminação da Discriminação contra as Mulheres), órgão da ONU, por causa de 200.000 mulheres que morrem a cada ano no nosso País devido a abortos ilegais [vi].
Mas são verdadeiros esses números? Em primeiro lugar devemos saber que essas instituições não possuem nenhum hospital no Brasil e nenhuma equipe que recolha dados estatísticos nos hospitais brasileiros e latino-americanos. Na verdade, os únicos dados científicos que temos são os dados do DATASUS, do Ministério da Saúde. Esses dados provêm de cada caso clínico, já que o médico que atende é obrigado a marcar num relatório diário cada procedimento que realiza. Os últimos dados divulgados por esse organismo no Brasil são os de 2010 e mostram que naquele ano houve 1.358 mortes no Brasil em mulheres em idade fértil durante a gravidez, parto ou aborto [vii]. Em relação ao aborto, foram 83 mortes. (Em 1996 foram 146 e em 2004 foram 156). A “ministra das Mulheres” naquela reunião da ONU disse que o aborto estava entre as 5 causas de mortes de mulheres no Brasil; notícia essa negada pelo ministro da Saúde, Sr. Alexandre Padilha, que estimou em 1.800 mulheres ao ano o número de mulheres mortas nessas circunstâncias [viii]. Evidentemente, como bem observou a dra. Lenise Garcia [ix], se fosse verdade que 200.000 mulheres morrem ao ano no Brasil e que essa é a quinta causa de mortes entre mulheres, isso significaria ao menos 1 milhão de mulheres morrem por ano no Brasil e nossa população estaria entrando em processo de extinção, algo totalmente absurdo, basta conferir os dados do último Censo nacional.
É interessante notar que esses números do Brasil seriam menos de 0,02% dos dados da ONU para a América Latina. Há quem diga que esses dados são subnotificados para evitar complicações legais, mas isso é uma mentira desavergonhada, pois nesses dados não se inclui a ficha clínica do paciente e nenhum dos seus dados é vinculado ao procedimento realizado. Tais informações são meramente estatísticas e não servem de provas legais contra nenhum paciente.
Além disso, se o aborto fosse considerado “questão de saúde pública”, como se a gravidez fosse uma doença a ser eliminada, isso traria mais problemas ao nosso País do que soluções. Vejamos bem:
a) Em primeiro lugar porque isso exigiria do Estado a assistência às mulheres que quisessem abortar. De modo que se o aborto deixasse de ser considerado crime e passasse a ser um “direito do cidadão”, consequentemente se tornaria também um “dever do Estado” [x]. Isso implicaria um evidente aumento no custo com a saúde pública e, ao mesmo tempo, um desrespeito à consciência dos agentes de saúde que seriam obrigados a praticar o aborto, mesmo os que são contrários a tal prática. A consequência é que o pessoal do serviço médico deveria escolher entre fazer uma violência às suas consciências (para não ter que perder o emprego e o prestigio profissional); ou uma violência contra tantos seres humanos indefesos. De modo que se o aborto fosse considerado, injustificadamente, “questão de saúde pública” todo esse pessoal que estuda para salvar vidas, seria obrigado a praticar técnicas que só produzem morte e sofrimento.
b) Outro problema que o aborto causaria ao nosso serviço público de saúde pode ser o que atualmente acontece na Espanha, onde o aborto desde 2010 entrou na pasta dos serviços do Sistema Nacional de Saúde, que garantiria o aborto livre, universal e gratuito, como um “direito da mulher”. O que ocorre lá é que os hospitais públicos não realizam abortos, para não ter que fazer uma lista de “objetores de consciência”, o que colocaria em risco o “direito da mulher” ao aborto. Então a solução encontrada na Espanha foi encaminhar as mulheres a chamadas “clínicas” privadas (não são verdadeiras “clínicas” porque não se cura ninguém nesses lugares), que realizam o aborto, às custas dos impostos pagos pelos seus cidadãos. O triste resultado dessa medida é que as diversas “comunidades autônomas” da Espanha têm agora uma imensa dívida para com essas “clínicas”, o que causou inclusive uma greve. A dívida atualmente é de 4,9 milhões de euros e o Estado sofre grande dificuldade para pagá-la, devido à crise econômica que sofre aquele País. Essa penosa notícia diz ainda que aquelas dívidas “ameaçam o direito do aborto livre e gratuito na Espanha” [xi]. Agora imaginemos o que poderia ocorrer no Brasil se o aborto fosse considerado uma “questão de saúde pública”? Aconteceria que, na prática, o dinheiro dos nossos impostos serviria a financiar essa prática brutal e subtrairia preciosos recursos do SUS, que há anos funciona de modo bastante precário.
Esses dados demonstram que o aborto não é causa de “saúde pública” e, por sua vez, causa diversos problemas ao sistema sanitário. De fato, considerar o aborto como “questão de saúde pública” só é possível quando se aceita dados falsos ou manipulados. Legalizar o aborto no Brasil seria algo que contraria à imensa vontade da nossa população e ameaça a efetiva participação democrática. Além disso, essa prática demonstra um desrespeito desastroso às consciências das pessoas e, na prática, não serve para reduzir o número de abortos, algo que pode levar à falência ou a uma ainda maior precariedade o nosso SUS.
Pe. Anderson Alves, doutorando em Filosofia na Pontifícia Universidade da Santa Cruz, em Roma.
[i] No seguinte link pode ser consultado essa notícia: http://www.in.gov.br/imprensa/visualiza/index.jsp?jornal=3&pagina=88&data=04/10/2010
[ii] Dados de pesquisa Datafolha e Vox Popoli, de 2010: http://www.ipco.org.br/home/noticias/vox-populi-82-da-populacao-e-contra-aborto
[iii] http://www.senado.gov.br/noticias/datasenado/enquetes.asp?ano=2010
[iv] http://www.ippf.org/en/News/Intl+news/Brazil+legislators+reject+abortion+reform.htm
[v] http://whqlibdoc.who.int/publications/2008/9789241546669_3_eng.pdf nesse link estão os dados da OMS sobre morte materna em decorrência de aborto “não seguro” (evidentemente o adjetivo “seguro” não se aplica às crianças, nesses casos). Os dados do Brasil estão juntos com os da América Latina (3.700.000 abortos “não seguros” anuais e 62.900 mortes maternas em decorrência dos mesmos).
[vi] Noticia da Globo, sobre Cedaw.
[vii] Os dados podem ser acessados em: http://tabnet.datasus.gov.br/cgi/tabcgi.exe?sim/cnv/mat10uf.def
[viii] http://oglobo.globo.com/pais/ministro-da-saude-contesta-dados-da-onu-sobre-abortos-no-brasil-4019839
[ix] Cfr. Artigo da dra. Lenise: http://brasilsemaborto.wordpress.com/tag/numeros-do-aborto/
[x] Conferir o artigo de Joel Nunes sobre o tema: http://www.acidigital.com/noticia.php?id=20301
[xi] A notícia pode ser vista em: http://www.publico.es/espana/420507/el-impago-a-las-clinicas-pone-en-peligro-el-acceso-al-aborto
A estupidez não é verde-amarela apenas! Cristofobia e ódio ao Ocidente querem, agora, censurar Dante Alighieri, acusado de islamofóbico, homofóbico e anti-semita. E eu juro que não estou brincando!
Antes
que prossiga, uma consideração. Quando vejo rematados imbecis, idiotas
notórios, vagabundos intelectuais de renome, vigaristas profissionais — a
corja, enfim… — a defender a cassação e a “caçação” de
crucifixos nos tribunais, não me incomodo, não. Dou um pé no traseiro da
escória e pronto! Eu fico espantado é quando constato que pessoas que
sei decentes, que são de bem, que realmente estão ocupadas em fazer do
Brasil um lugar melhor, caem nessa conversa em nome do “laicismo do
Estado”. Não se dão conta de que se trata de uma tentativa de apagamento
da memória histórica; ignoram que não se pode julgar o passado com
valores que são do presente. Esquecem que a reforma da memória é uma das
taras do totalitarismo. Muito bem! Um advogado no Brasil quer depredar
um patrimônio tombado em Brasília para retirar o crucifixo do STF. Ele é
café pequeno perto do que vocês lerão abaixo. Chamo a atenção das
pessoas de bem, eventualmente equivocadas nesse particular, para o
horror com o qual estão flertando.
Valentina
Sereni, a presidente da entidade que quer banir Dante das escolas
italianas, diz que a obra apresenta um conteúdo ofensivo e
discriminatório contra homossexuais, islâmicos e judeus. Segundo Sereni,
esse conteúdo é ensinado sem quaisquer filtros ou consideração crítica.
Assim, chega de Dante! Ela se incomoda, em especial, com os cantos
XXXIV, XXIII, XXVIII e XIV. Segundo a moça, o Judas de Dante é a
representação do Judas do Evangelho, fonte do anti-semitismo. “Estudando
a Divina Comédia, sustenta a Gherush92, os jovens são expostos, sem
filtros e sem crítica, a uma obra que calunia o povo hebreu”. No canto
XXIII, destaca Sereni, Dante pune o Sinédrio, Caifás, Ana e os fariseus.
Ela
também considera inaceitável o Canto XXVIII, do Inferno. Dante descreve
as penas horrendas que sofreram os semeadores da discórdia. Maomé é
apresentado como líder de um cisma religioso, e o Islamismo com uma
heresia. Ao profeta é reservada uma pena atroz: um demônio passa a
eternidade a lhe rasgar o corpo, de modo que o intestino lhe pende entre
as pernas. Dante também não perdoa os sodomitas, os que mantêm
“relações sexuais contra a natureza”, e os heterossexuais lascivos. Ela
não pode aceitar. E afirma: “Nos não defendemos a censura, mas queremos
que se reconheça, de forma clara, sem ambiguidade, que, na Divina Comédia,
há um conteúdo racista, islamofóbico e anti-semita. A arte não pode
estar acima da crítica. Mesmo que haja diferentes níveis de
interpretação — simbólica, metafórica, iconográfica, estética —, não se
deve ignorar o significado textual: o conteúdo é claramente depreciativo
e contribui, hoje como ontem, para divulgar acusações falsas, que
custaram, ao longo dos séculos, milhões e milhões de mortos (…) Isso é
racismo, que a leitura simbólica, metafórica ou estética da obra não
pode remover.
E
vai adiante: “É nosso dever alertar as autoridades competentes e o
Poder Judiciário que a Divina Comédia apresenta conteúdo ofensivo e
racista (…). Pedimos, pois, que a Divina Comédia seja retirada dos
programas escolares ou que, ao menos, se faça acompanhar das devidas
explicações”.
Bando de vigaristas!Meu
querido amigo Diogo Mainardi (o vídeo vai abaixo), indagado sobre a
questão dos crucifixos, fez questão de deixar claro que é ateu, mas
lembrou que seus filhos estudam numa escola católica e que o
cristianismo é uma referência da cultura. E fez uma de suas sínteses
geniais: “Não acredito em Deus, mas acredito na Igreja”. Ora, ninguém é
obrigado a crer, e eu, é óbvio, não acho que isso distingue os maus dos
bons, não! Como sabem, nos vários posts que escrevi a respeito, deixei a
questão da fé de lado — porque acho que não é ela que está em debate.
Não é porque sou católico que quero crucifixos em tribunais. Na verdade,
eu não reivindico que eles estejam lá. Escrevo isto desde que esse
debate surgiu, há mais de dois anos: eu me aponho é à decisão de
retirá-los ou de proibi-los. Na verdade, o ódio ao crucifixo é metáfora
—- ou metonímia — de um ódio maior: à cultura ocidental. No fundo, é uma
derivação do antiamericanismo; ainda voltarei a esse tema
oportunamente.
No Brasil, os gênios de Fernando Haddad já tentaram censurar Monteiro Lobato. Acabaram desistindo. Comentando a questão, em outubro do ano passado e
ao retomar o assunto, na semana retrasada, quando veio à luz a
tentativa de reescrever o Dicionário Houaiss, perguntei se alguém
proporia a censura a Shakespeare, na Inglaterra, porque “Mercador de
Veneza” é anti-semita, ou a Alexandre Herculano, em Portugal, porque o
livro “Eurico, O Presbítero” é islamofóbico.
Não!
Dona Valentina Sereni e seus amigos são só pilantras intelectuais
treinados para odiar o cristianismo e o mundo Ocidental. A defesa que
faz das supostas vítimas de Dante (Santo Deus!) é só um pretexto
verossímil para disseminar esse ódio. No mês passado, a Newsweek publicou
um texto de Ayaan Hirsi Ali, esta mulher que é exemplo de luta e
coragem. Chama-se “O crescimento da cristofobia”. Ela evidencia com
fatos e números o que tenho afirmado há cinco anos neste blog: a
religião mais perseguida do mundo hoje é o cristianismo. E seus
assassinos são radicais islâmicos. Não obstante, o quase monotema da
imprensa ocidental é a “islamofobia”. Ayann, nascida na Somália e vítima
de brutalidades inomináveis, denuncia o bem-sucedido lobby de grupos
islâmicos junto ao jornalismo ocidental para transformar algozes em
vítimas e vítimas em algozes.
A
cristofobia e o ódio ao Ocidente já puseram Dante na lista dos autores
proibidos. Chegará a hora de Shakespeare, Chaucer, Camões, Milton,
Cervantes… — toda essa gente asquerosa que construiu esse mundo
ocidental de horrores, que dona Sereni e sua corja detestam.
Alguns
de vocês, leitores deste blog — gente de bem —, que condescenderam, no
entanto, com a caça aos crucifixos, não acreditaram quando afirmei que
aquela ação era parte de um ódio mais geral; não tinha nada a ver com
laicismo, e sim com o repúdio a um estilo de vida, a uma cultura, a uma
tradição. Vejam aí com o que vocês estão flertando. Os argumentos de
quem caça e cassa um crucifixo são os mesmos daqueles que querem Dante
fora da escola! Em tempos globalizados, este é um movimento que
transcende o Brasil. O ódio ao cristianismo se espalha, muito
especialmente nos países cristãos. Concordar com a perseguição à cruz e
abrir mão de parte da nossa liberdade. Talvez os nossos netos paguem por
isso.
Quem
celebra a crucifixo proibido certamente sabe defender a censura à
Divina Comédia. Não! Esse mundo eu não quero! E lutarei contra ele
enquanto me restar ao menos um suspiro.
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